quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Pontes da amizade! Quantas você construiu?

"E falou o Eterno a Moisés, dizendo: Fala a toda congregação dos filhos de Israel e lhes dirás: Santos sereis, pois santo sou Eu, o Eterno vosso Deus" (Levítico 19:1-2). Somos compelidos a santificar nossa existência, uma vez que representamos a imagem e semelhança divinas. A Parashá (porção), a partir deste ponto, passa a enumerar uma série de condutas (amar o próximo, praticar a justiça, não vingar-se, etc.) como meios para se obter a santidade. Como receitas médicas para o espírito, a Tora ordena o ser humano a procurar a perfeição em seus atos. Como um mapa rodoviário, as estradas que levam a esta fantástica cidade são mostradas. No entanto, permanece uma dúvida: sabemos como atingir a santidade. Mas e a santidade em si, o que é? Como definir um estágio tão elevado no aprimoramento do ser humano? Certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro. Durante anos percorreram uma estreita, porém comprida estrada que corria ao longo do rio para, ao final de cada dia, poderem atravessá-lo e desfrutarem um da companhia do outro. Apesar do cansaço, faziam-no com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manha, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta. Ao abri-la, notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro em sua mão. "Estou procurando por trabalho"- disse ele. "Talvez você tenha um pequeno serviço aqui e ali. Posso ajuda-lo?" "Sim!" - disse o fazendeiro - "Claro que tenho trabalho para você. Veja aquela fazenda além do riacho. É de meu vizinho, na realidade, meu irmão mais novo. Brigamos muito e não mais posso suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você me construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não mais precise vê-lo. "Acho que entendo a situação"- disse o carpinteiro - "Mostre-me onde estão a pá e os pregos que certamente farei um trabalho que lhe deixara satisfeito." Como precisava ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu. O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou sua obra, ao mesmo tempo que o fazendeiro retornava. Porém, seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca!
Em seu lugar estava uma ponte que ligava um lado do riacho ao outro. Era realmente um belo trabalho, mas, enfurecido, exclamou: "Você é muito insolente em construir esta ponte após tudo que lhe contei" No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao erguer seus olhos para a ponte mais uma vez, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo com seus braços abertos. Cada um dos irmãos permaneceu imóvel de seu lado do rio, quando, num só impulso, correram um na direção do outro, abraçando-se e chorando no meio da ponte. Emocionados, viram o carpinteiro arrumando suas ferramentas e partindo. "Não, espere!"- disse o mais velho - "Fique conosco mais alguns dias. Tenho muitos outros projetos para você" E o carpinteiro respondeu: "Adoraria ficar. Mas tenho muitas outras pontes para construir." Assumamos uma missão: vamos construir pontes! Quando a vida impuser um rio de separação entre nós, não nos sirvamos disso como desculpa para abandonar o campo de batalha. Quando houver injustiça e solidão na outra margem, não tenhamos medo de correr ao outro lado com os braços abertos. É muito mais fácil fechar-se numa cerca e proteger-se dos problemas. Afinal, construir uma ponte requer mais empenho; podemos nos molhar nas turbulentas águas da frustração e abrimos espaço para que o inimigo penetre em nossas vidas. É bem mais pratico um muro! Mas precisamos arriscar. Só quem arrisca vive! Em hebraico, ponte escreve-se Guesher. Com as mesmas letras, escrevemos Reguesh - sentimento, sensibilidade. Diz o Talmud (Brachot 6a): dvarim haiotsim min halev nichnassim el halev - o que sai do coração imediatamente entra no coração. Se começarmos a construir nossas pontes em nossos corações, com certeza atingiremos nossos objetivos. Felicidade, como diria um famoso pensador judeu deste século, é a certeza de sentir-se necessário. Santidade, por sua vez, é a certeza de sentir que o outro é ainda mais necessário! Amor ao próximo, a justiça, a bondade, etc, são apenas meios para nos aproximarmos uns dos outros. Se o próximo não estiver assim tão próximo, o que de divino (para não dizer, santo) encontraremos em nossa existência? Então, mãos à obra! Fonte: Or Menorah APUTE, Edelcio Luiz de Oliveira

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